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Palestrante Confirmada!!!

Beth Seixas

Beth Seixas

 Já que o Seminário é de Oratória, a gente traz quem entende do assunto!

Ela é consultora em apresentação e imagem, e está há mais de 38 anos no mercado, noticiando jornais em rádio e TV,apresentando cerimoniais e eventos, anunciando spots comerciais, gravando vídeos institucionais, políticos, etc.

É diretora da Beth Seixas Comunicação e Cursos, professora de locução, apresentação em TV e telejornal, discurso político e apresentação em público.

Locutora da Rádio Inconfidência FM 100,9 / AM 880.

Experiência:

Rádio Guarani FM
Rádio Liberdade AM
TV Globo Minas
Rádio Globo
TV Bandeirantes
Rádio Inconfidência AM
TV Assembleia
Rádio Alvorada FM
TV Redeminas
Rádio América AM

Trabalhou como locutora e apresentadora nas campanhas dos seguintes candidatos:

Tancredo Neves / 1985
Newton Cardoso / 1987
Fernando Collor / 1989
Fernando Henrique Cardoso / 1994
Eduardo Azeredo / 1994
Fernando Pimentel / 2004
Maria do Carmo Lara / 2004

Oratória na Empresa – Entrevista com Davidson Cardoso (Centro Visão Classic e Grupo Jovem da CDL)

Entrevista concedida à Alexandre Fabiano, Carla Moreira Gomes, Lorrane Christine, Luana Marielli, Mariane Batista, Tatiana Cristina Martins, Thalita Franciele e Valdiléia Santana

 Davidson Luiz Cardoso

Davidson Luiz Cardoso

Formado em administração pela PUC-MINAS, Davidson Luiz Cardoso  é casado há sete anos com Giuliana Loschiavo Cardoso, com quem tem uma filha. É superintendente da empresa Centro Visão Classic e Presidente do grupo Jovem da CDL onde também é Diretor.

Entrevista

Nome: Davidson Luiz Cardoso

Data de nascimento: 12 de setembro de 1975

Boa tarde Davidson, conte para nós um pouco sobre sua vida profissional e como foi sua trajetória até o momento.

R: Eu formei em Administração na PUC, estudei no colégio Santo Agostinho e assim que terminei de formar eu vim trabalhar como estagiário na parte financeira na Óptica Centro Visão Classic. Foi em 1997, há 15 anos que eu trabalho e fui desenvolvendo. Hoje sou diretor administrativo da empresa.

 

 Davidson em entrevista aos alunos do UniBH

Davidson em entrevista aos alunos do UniBH

E quais são os principais desafios da sua profissão?

 

R: Dentro do mercado, nós estamos em uma empresa de varejo em um mercado muito competitivo. Para preparar a empresa para estar competindo com sucesso neste mercado, temos que desenvolver talentos, preparar as pessoas, redefinir processos melhorar o resultado da empresa. Então precisamos crescer com sustentabilidade. Por isso, eu, na área financeira tenho que captar recursos para que a empresa possa continuar crescendo de maneira sustentável.

 

Comunicação face a face se apresenta para resolução desses desafios?

 

R: Nosso posicionamento da empresa depende muito das pessoas, então precisamos de pessoas motivadas e treinadas para exercerem bem sua função, para que a empresa consiga resultados. Com isso, na comunicação o feedback é fundamental. Quando vamos dar orientação de melhoria para uma pessoa melhorar ou elogia-la temos que fazer de maneira individual, ás vezes um a pessoa cometeu erro, chegou atrasada você não pode chamar na frente de todo mundo, tem que explicar a importância de chegar no horário e direcionar para que isso não aconteça novamente. Assim quando ela faz algo positivo, alcança um resultado, bate uma meta, temos que elogiar pelo bom trabalho que fez, dizer a sua função e falar o quanto contribui para o resultado final. E esse engajamento pessoal é o que eu mais faço no dia-dia com mais importância, diferente de uma reunião quando você fala na frente de todo mundo e expõe uma coisa para todos, na hora que acontece o fato, você não pode esperar “a pessoa chegou atrasado três dias atrás” e eu a chamo para conversar hoje, não adianta, na hora que acontecer você tem que chamar se posicionar e mostrar a importância de ter aquele comportamento dentro da empresa.

 

Do ponto de vista da comunicação em qual que você se define?

 

R: Eu já fui mais tímido, (risos) porque comunicação é prática, quanto mais desafiado a falar em situações mais apreensivas mais você se sai bem. Você vai adquirindo alto confiança e vai falando de uma maneira mais convicta e sem receios. Como vocês que estão na área de oratória, é claro que tem que ter preparação, primeira coisa para comunicar é você preparar o que tem para falar. Você vai falar de uma coisa que você conhece que você vive o seu dia-dia, que sabe sobre o que está falando. Não precisa ter receio de falar, você vai adquirindo segurança e falando, por exemplo, em cada conversa individual você repete a mesma coisa, vai falando e trazendo segurança e na hora que vê já está falando naturalmente sem dificuldade, então é planejamento e pratica para falar com mais desenvoltura.

 

Quais são as estratégias utilizadas em determinadas situações, por exemplo, da sua vida pessoal e do seu trabalho?

 

R: Depende do objetivo da comunicação, o mais importante é você saber qual o seu objetivo, preciso motivar as pessoas, você tem que dar um tanto, tem que dar alguma noticia trágica ou noticia ruim você não pode dará noticia rindo então você vem com outro dom, então você sempre tem que estar preparando um objetivo e para este objetivo uma maneira mais adequada para começar, e normalmente você começa com uma frase de efeito  curta e se termina com uma frase de efeito curta também, com outra coisa que você vai falar, você começa com uma ação e um beneficio façam esses e vão conseguir pelo objetivo e você fecha com ação curta porque leva as pessoas á ação, então você começa  com introdução  curta e fecha fazendo introdução curta com a mensagem que você quer passar minimamente no fechamento para que fique aquela mensagem igual ao slogan  de propaganda, geralmente todo slogan de propaganda é assim, você começa com abertura faz o desenvolvimento e no final você fecha  com o slogan da empresa. Uma técnica que eu sempre uso para me comunicar, mais com a família é o mais difícil, na empresa é fácil, mas no dia-dia não, porque você não prepara para falar com a família, você fala no impulso, no dia-dia, você vai falando então você se pega falando não da maneira correta com seu filho ou com sua esposa, eu acho que na família como a gente não pratica uma oratória não tem essa necessidade de preparar e não tem o frio na barriga que eu acho importante, porque quando se tem o frio na barriga à gente se prepara mais ou fala melhor, mas quando não se tem não se prepara            e normalmente com a família você não se prepara nada, vai falando o que vai à cabeça e por isso que às vezes temos estas dificuldades de comunicações entre a família, mais difícil que na empresa.

 

Quais foram às situações mais atípicas que você fez relacionadas à comunicação? O resultado foi positivo ou negativo?

 

R: A coisa mais difícil é você falar de improviso, quando você não está preparado e, por exemplo, você vai fazer uma palestra e você não sabe o que a pessoa vai perguntar se vai ter alguma situação constrangedora, então até por improviso você tem que se preparar e quando você vai colocando esta situação, dificuldade de comunicação de se comunicar muitas vezes uma coisa que você não queria passar. Na hora que você vê você já falou, mais a palavra não tem mais jeito de voltar atrás, ai você pensa “pô, não precisava chamar atenção deste funcionário na frente de todo mundo” mais na hora que você vê você já falou. Assim como se tem outras situações como se planeja, fizer apresentações no Power point para falar para empresa, festas de funcionários, saem corretamente, então normalmente quando tem algum problema é porque não planejou para falar, ou foi pego de surpresa em alguma situação, ou até mesmo em uma reunião.

Davidson e os alunos do UniBH

Davidson e os alunos do UniBH

Hoje para você, quem é o maior comunicador?

 

R: Não tenho um ídolo de comunicação, mais eu admiro muito o Roberto Justo, naquele programa que ele fala do APRENDIZ, aquela pessoa que sabe falar, eu o acho um bom comunicador porque quem comunica bem, ouve bem, se você não sabe ouvir você não sabe se comunicar de forma correta. Então normalmente você faz muita pergunta, aprende muito, se escuta, pois quando você esta falando você tem que perceber o que esta acontecendo nas palestras, o palestrante esta falando e ninguém prestando atenção, todo mundo dormindo, tem um abrindo a boca, então você vai observando você vai vendo se aquilo que você esta falando está agradando ou não. Então eu acho que o que comunica bem na televisão é ele, enquanto tem outros que não deixa os outros falar, que nem o Faustão ele faz a pergunta e ele mesmo responde, e até me irrita quando eu o vejo porque ele acha que é um bom comunicador porque fala muito, mas não é ele pergunta e responde ele não escuta o que a pessoa esta falando, não gera interação, então você vê que é um exemplo negativo, pode ser até uma pessoa carismática que todo mundo gosta, mais que para mim não é um exemplo de comunicador porque não deixa a pessoa falar.

 

O corpo fala para você o gesto que é importante?

 

R: Muito. Por isso que você tem que mais planejar, por que fala uma mentira e você não vai conseguir falar uma coisa e seu corpo vai direcionar outra. Tem gente que fala uma coisa e esta balançando a cabeça que não, você acredita no que esta falando ou não acredita? Ou você não olha no olho? Então você tem que ter congruência de acreditar naquilo que você esta falando, por isso que uma das coisas mais importantes é falar em algo que você acredita, em que você sabe fazer que você domine o assunto, pois se você falar de um assunto em que você não domina ou que você não acredita, vai ser incongruente, incoerente a sua comunicação e claramente o seu corpo fala por você.

 

Você já fez algum curso de oratória?

 

R: Já, apresentação de “auto impacto”, já fiz na Dale Carnegie que é uma empresa de treinamento que se chama “Apresentações de Alto Impacto”. O tema não é oratória mais, uma forma de se apresentar em público, em apresentação em câmera, em entrevistas, reuniões, e você é testado a praticar e dar mais um pouco de segurança.

 

Agora me fale um pouco sobre você como pessoa?

 

R: Eu acho que sou uma pessoa que busca sempre aprender mais, isso é uma característica minha de treinar de melhorar, e se melhorarmos enquanto pessoa você melhora enquanto profissional então esse é um ponto positivo meu e que busco sempre melhorar enquanto pessoa e enquanto profissional. E um ponto negativo é que eu sou um pouco teimoso e perfeccionista com algumas coisas e isso não acho que é positivo. Porque perfeccionismo tem seu lado positivo e seu lado negativo, mais, a teimosia que eu acho ruim que eu sei que às vezes me prejudica, mas gosto de estar com gente, gosto do RH, gosto de lidar com as pessoas, gosto de liderar, então eu tenho esta afinidade, gosto de números, mais na área financeira, gosto do que eu faço, então me defino como uma pessoa que busca sempre melhorar.

 

Você já alcançou todos os seus objetivos?

 

R: Não. Eu acho que o objetivo a gente tem uma empresa familiar à empresa começou com meu pai que ainda é o presidente da empresa, mais assumir uma empresa é muita responsabilidade, então eu tenho que estar me preparando, me capacitando para caso algum dia eu vir a assumir a empresa. Tanto pessoal quero viajar muito, conhecer muitos lugares, quero estar com a minha família, com a minha filha, com minha esposa, fazendo alguns programas e profissional tendo muitos desafios, mercado a cada dia mais competitivo e sei que eu tenho muito que crescer. Se não na hierarquia mais enquanto profissional hoje temos uma responsabilidade muito grande aqui na empresa, somos 160 colaboradores, são 160 famílias que dependem do negocio, e o negocio tem que ser um negocio bem sucedido para que consigamos garantir um sustento não só nosso mais também para essas famílias.

A Oratória de Raimundo Farinelli

     Nascido no dia 31 de outubro de 1937, em São Roque de Minas, o ator, mímico, diretor e professor Raimundo Farinelli descobriu seu talento para a 3ª arte (teatro) aos doze anos, num trabalho de final de curso no ginásio, onde atuou pela primeira vez.

Raimundo Farinelli

     Em 1958 mudou-se com a família para Belo Horizonte e, em 1960, entrou para o Teatro Universitário da UFMG, onde se formou como ator no ano de 1963, sendo premiado como ator revelação com “O Noviço”, peça apresentada no final do curso.

     Em 1968 conheceu Ricardo Bandeira, mímico brasileiro muito conhecido da época, se apaixonando pelo trabalho. Muito dedicado, começou a ensaiar sozinho e, um dia, teve oportunidade de mostrar seu talento com a mímica através de um convite de Helvécio Ferreira, logo após uma sessão da peça “Sonho de Uma Noite de Verão”, de William Shakespeare.

     Em 1970, nos Estados Unidos, conheceu Marcel Marceau, considerado o maior mímico do mundo e, voltando para Belo Horizonte em 1973, montou a peça “Os gestos começam onde terminam as palavras”, trabalho do qual tem muito orgulho. Na peça Farinelli utiliza um recurso de comunicação chamado pantomima que, diferente da mímica, não utiliza cenário, nem objetos, apenas o figurino, o ator e seu talento. (Figuras 1, 2, 3 e 4)

PANTOMIMA

     Com grandes peças em seu currículo de ator, diretor e produtor como “Os Saltimbancos”, “Velório à Brasileira”, “Nas Ondas do Rádio”, “Marcelino, Pão e Vinho” e muitas outras, Farinelli destaca como seu maior trabalho a peça “A Paixão de Cristo”. (Figuras 5 e 6)

     Também já fez trabalhos na TV como as campanhas publicitárias anuais para a Campanha de Popularização do Teatro e da Dança; participação no especial “Tiradentes, Nosso Herói” (1984) e na minissérie “Memórias de um Gigolô” (1986), ambos da Rede Globo; dentre outros. E apresentou à mídia grandes nomes, como José Mayer e Antônio Grassi.

     Farinelli também tem apreço especial por um de seus ex-alunos, o ator e produtor Fernando Bustamante, o qual considera um grande comunicador. Atualmente Bustamante é um dos dirigentes da Cyntilante Produções e está à frente de grandes espetáculos como os “Os Saltimbancos”, “A Pequena Sereia” e “Lampiãozinho e Maria Bonitinha”, sucessos de bilheteria na Campanha de Popularização do Teatro e da Dança.

     Aos 75 anos, Farinelli ainda tem muita disposição para o trabalho. É fundador e presidente da Compalco – Cia Palco de Teatro, que está com mais uma produção saindo do forno em breve: “A Próxima Vítima”.

     Conserva nos fundos de sua residência, no bairro Nova Suíssa, região oeste de Belo Horizonte, um pequeno espaço onde são montados os cenários de suas peças (produzidos por ele) e onde seus alunos ensaiam. Mas ainda carrega o sonho de ter seu próprio teatro.

     Sua relação com a comunicação é muito vasta, tendo em vista a utilização dos diversos recursos de linguagem verbal e não verbal e técnicas conquistadas no decorrer dos anos de experiência com o teatro.

Vamos à entrevista…

Entrevista realizado por: CAMILA SILLAMI, JACQUELINE QUINTÃO, MICHEL SALES, NÚBIA GARCIA e RENATA SAMPAIO.

Renata: Hoje estamos aqui com o ator e diretor Raimundo Farinelli e desde já agradeço a gentileza de nos receber. Fala um pouco para gente da sua profissão, da sua carreira, da sua trajetória até aqui, como foi sair de São Roque de Minas e vir para Belo Horizonte?

Farinelli: Eu nasci na cidade de São Roque de Minas mas fiquei até os quatro anos de idade depois eu fui pra Arcos. Foi em Arcos que eu fiz uma parte do grupo e foi lá que eu descobri o meu talento para o teatro, na formatura. Eu tinha aula de teatro na escola e os professores faziam muito e quando eu formei a gente teve um espetáculo e eu fui muito elogiado pelo pessoal da cidade. Vim para Belo Horizonte com doze anos, mas não tinha a intenção de fazer teatro, só que eu tinha muita vontade de namorar e não tinha coragem de namorar. Era difícil naquela época não era fácil igual hoje. Então, um dia um senhor esteve aqui convidando o pessoal para fazer teatro e eu fiquei pensando “quem sabe se eu for ator eu não vou precisar chegar na menina, ela que vai chegar em mim” – esse foi meu primeiro objetivo. O teatro era no João Pinheiro que hoje é Exército e lá eu tive a felicidade de conseguir uma namorada, isso facilitou a “coisa” e foi assim que passei a gostar mesmo de teatro. O engraçado é que eu estou solteiro até hoje!

Jacqueline: Na trajetória do seu trabalho quais foram os desafios que você enfrentou?

Farinelli: Bom, desafios a gente tem muitos. O primeiro desafio foi o preconceito. Naquela época quando comecei quem fazia teatro não era bem visto, era maconheiro, era pederasta. Então foi um desafio muito grande. Cheguei a ser até “banido” da turma que outrora trabalhava no banco, quando descobriram que eu fazia teatro passei a nem ser bem quisto no meio deles.

Depois vieram os desafios de horário de trabalho, que na época horário de ônibus terminava cedo, às vezes tínhamos que andar, vir do centro até aqui porque não tinha dinheiro para pagar a condução. Foram grandes desafios.

Mais tarde os desafios começaram na parte de “o que fazer para viver do teatro”. Coisa que não se consegue é viver do teatro, sobrevive dele, mas não é legal. Hoje o desafio maior é o tempo, os atores não têm mais tempo. Então eu tenho problema, às vezes gasto seis meses para conseguir um elenco.

Jacqueline: Isso porque eles têm outras funções?

Farinelli: Exatamente, a pessoa tem três, quatro funções para poder se sustentar. As pessoas não têm tempo, estão fazendo universidade, trabalhando, fazendo cursinho não sei de quê e acontece que não podem se dedicar ao teatro. Aí falo com o pessoal o seguinte “eu nunca fiz teatro com dinheiro, fiz teatro com ator”, porque com dinheiro a gente se vira. Vê este cenário que estou montando da próxima peça, tem seis meses que eu estou montando ele. Vou montando devagar, ensaio devagar, o dinheirinho que entra com o trabalho de outros cenários, às vezes, aquele dinheiro, não tiro do meu dinheiro, eu uso todo em cenário. Depois vem a divulgação que é caríssima e difícil. Porque em Belo Horizonte o que funciona muito é o boca a boca, as pessoas gostam e vão contando. Agora você pega um teatro para pagar hoje, qualquer teatro deve custar mais de seiscentos reais o dia, você faz dez espetáculos são seis mil reais e é ai que o povo começa a gostar e começa a ir. Então você já perdeu seu investimento todo, a grande dificuldade eu acho que é essa, o mineiro é assim, o mineiro só chupa laranja se alguém falar que ela é gostosa, que é doce, ele não arrisca a comprar, tem que esperar alguém falar que é bom.

Renata: Farinelli, você acredita que esta falta de cultura de ir ao teatro se deve ao preconceito que você nos disse no início da entrevista?

Farinelli: Também, ainda hoje existe preconceito, existem coisas que você nem acredita. Uma vez tinha uma menina aqui que era apaixonada com teatro, ela queria fazer teatro e a mãe dela não deixava. Então, um dia resolvi conversar com essa mãe sobre isso, o que estava acontecendo, porque ela não deixava a filha fazer teatro, se ela acha que lá dentro do teatro não é um ambiente bom. Sabe o que ela respondeu para mim? Saí de lá e não falei mais nada, sai cabisbaixo, ela disse: “Não, eu quando era jovem eu quis ser atriz eu não pude porque eu vou facilitar para ela agora?”

Camila: Quem é o maior orador ou comunicador em sua opinião, porque e o que o faz ser especial?

Farinelli: Orador nem diria muito não, mas comunicador que consegue fazer um trabalho muito bom é o Fernando Bustamante. Ele mantém um trabalho muito bom, tem público, não depende só de verba. Ele gastou agora na peça “Eu não sou cachorro não” trezentos e vinte mil reais sem ter, só com a expectativa que a coisa funcionasse e ele conseguisse vender o espetáculo, pois fala muito bem e consegue convencer as pessoas, é um empresário. Agora orador eu não diria assim porque o Fernando fala muito bem, convence as pessoas porque parece que ele acredita muito no que fala. Em teatro eu o consideraria como o maior de Belo Horizonte porque os outros fazem muita coisa, mas sempre um trabalho ou outro. Ele não, ele tem o CAMA, que é uma escola de musicais, a primeira escola de Belo Horizonte de musicais e está fazendo bastante sucesso, trouxe até gente de São Paulo para poder trabalhar e me parece que agora tem o CASA (escola de sapateado) que também está fazendo sucesso, que é com o Daniel Costás que é muito jovem também. Inclusive ele foi convidado para ser o auxiliar de direção do Rei Leão na Alemanha, ele esteve lá, o Daniel é maestro, muito bom.  Orador mesmo o que eu posso dizer é o Bustamante, ele eu posso dizer que tem uma facilidade incrível de convencer.

Núbia: Como a comunicação face-a-face surtiu efeito no seu trabalho?

Farinelli: Hoje está tão difícil a gente se comunicar porque como tem essas coisas de internet, tudo é filho da internet, então face-a-face mesmo eu não diria para você. Eu mesmo não consigo às vezes resolver nada, chego à pessoa para conversar, para bater um papo, explicar e a pessoa pede para passar pela internet, pelo e-mail. Hoje tudo é a internet, até para namorar. Acabou aquele face-a-face, aquela coisa que era gostosa de você conquistar, pegar a primeira vez na mão. Hoje não, já está tudo na internet, eu não gosto da internet não, mas sou obrigado a usar. Agora quando eu preciso realmente eu vou buscar isso, conversar com a pessoa e depois tentar convencer. O face-a-face é importante exatamente por isso, você pergunta e eu respondo, a gente esclarece melhor as coisas. Eu acho isso muito melhor, mas hoje é muito difícil porque todo mundo quer que manda pela internet, é mais simples. No face-a-face tem essa vantagem, você convence a pessoa ou não mas pelo menos você pode explicar melhor seu projeto porque muitas vezes escrito não funciona não. Mas como está na moda todo mundo pede para enviar pela internet.

Michel: Do ponto de vista da comunicação, como você define o teatro?

Farinelli: O teatro em minha opinião é um dos meios de comunicação mais firmes, fortes. Veja o seguinte, veio o cinema e aquela febre do começo do cinema. Depois do cinema então, vieram as outras coisas, por exemplo,  veio a internet, veio o DVD e o teatro não foi destruído, ele se manteve firme. Hoje muita coisa já esta terminando, mas o teatro não, o teatro continua crescendo. Se a gente observar bem há dez, quinze anos, Belo Horizonte tinha quatro teatros, hoje nós temos mais de trinta. Antes eram três, quatro peças por ano, hoje temos 150 peças. Isto mostra a força que o teatro tem, porque o teatro não tem condição de você cortar, você tem que fazer a história direta porque o ator está no palco. Então convive público e ator. É muito mais forte você falar algo no teatro do que na televisão, porque na televisão às vezes você está até cozinhando e a TV está ligada, no teatro não, você está em comunhão com o ator. Você vê a Revolução de 30, ela começou na França, dentro do teatro, o povo que estava dentro do teatro saiu, se armaram e foram lutar. Tanto prova disso que quando nós tivemos aqui a Ditadura, na nossa época, o Governo deu o maior incentivo para o futebol, era futebol de graça, não sei o que lá mais de graça, por quê? Porque no futebol o cara não tem que pensar e o teatro informa, ele dá a informação naquele momento e você se emociona com tudo ali dentro porque é direto. O Governo não deu apoio ao teatro, não tinha apoio nenhum, pelo contrário, nós apanhávamos. A gente acabava de fazer uma peça e a polícia estava lá para bater na gente porque nós falamos uma coisa que não podíamos falar. Isso influenciava mesmo. Essa é uma prova grande de que nada que veio destruiu o teatro e acho que nunca vai destruir. O teatro vai sempre existir.

Camila – Quais são as estratégias comunicativas utilizadas em determinadas situações: há uma variação nas situações de vida, casa, trabalho e outros momentos? Como você lida com isso?

Farinelli – No meu caso, eu sou um cara que gosta de teatro, sou apaixonado por isso, eu consigo conciliar tudo. Também hoje sou aposentado, então não tenho muito problema, agora as pessoas que querem se envolver no trabalho, eles tem grande dificuldade, acho que já falamos um pouco sobre isso, tem a parte financeira, a parte de locomoção, que é tudo muito difícil, então a gente tem que procurar enquadrar tudo dentro do possível de cada um e é exatamente isso que traz dificuldade, você tem que adequar o seu trabalho há varias pessoas e vários tipos de situações.

Núbia – Nesses anos todos de carreira com certeza aconteceram algumas situações inusitadas. Podia contar um pouco disso? O público gostou, foi embora, algum ator fez alguma coisa errada?

Raimundo – É, já aconteceu do cenário cair todo em público, ter que montar tudo de novo, ai a gente vai para a plateia, começa a conversar com o público enquanto monta o trabalho. Isso funciona muito, mas dialogar com o público é perigoso. Eu já vi uma pessoa saindo do teatro porque o ator não soube controlar o negócio. Uma vez uma atriz foi fazer a cena de plateia e caminhou para o lado de um cara. Enquanto ela caminhava a esposa puxou o cara e falou: – Aqui você não vai assentar não, estou entendendo bem, isso aqui é uma porcaria. A esposa achou a atriz muito bonita, achou que ia sentar no colo do marido dela…

Jacqueline – Pela sua história com o teatro, deu para perceber que você se direcionou para a mímica, então da para perceber que o corpo fala. Me fala um pouco como funciona os gestos para você?

Farinelli – Quando eu comecei a fazer teatro eu gostava muito de fazer , a chamada cena muda. Toda peça minha eu punha uma cena que eu não falava, fazia a cena através dos gestos, e funcionava muito. A vantagem da mímica é que apesar de ser muito difícil, você não esquece. A fala às vezes entra de um lado e sai do outro, passa despercebido, mas a mímica é visual, é igual a fotografia. Tanto que a dificuldade dela é você fazer gestos bem claros e com um ritmo especial, porque nós não conseguimos guardar símbolos imediatamente igual guarda a fala, então com isso ela parece com o computador. Ela guarda lá dentro e quando você precisa disso, busca a informação. Aí comecei a fazer o trabalho de pantomima, porque a mímica é diferente. A pantomima eu não uso nada em cena, objeto nenhum e na mímica você pode usar um copo, pode pegar um quadro na parede. A pantomima é o corpo todo, só o corpo, então aquilo guarda demais na cabeça das pessoas, você entende o que está acontecendo, você sente, nunca mais esquece. Você passa com muita perfeição, então através do gesto você expressa, coisa que às vezes não expressaria com palavras.

Michel – Já teve oportunidade, já fez algum curso de oratória?

Raimundo – Olha não, nunca fiz curso de oratória, vacilo meu, deveria ter feito. Oportunidade já tive várias, inclusive, “em casa de ferreiro o espeto é de pau”. Eu tenho uma professora de oratória aqui e eu nunca fiz, isso deve ser exatamente uma falta de interesse meu, porque é importante.

Renata – Farinelli, então vamos para um bate-bola? Atuar ou dirigir?

Farinelli – dirigir

Renata – uma peça?

Farinelli – A paixão de Cristo.

Renata – Uma música?

Farinelli – Casa Bianca

Renata – De quem?

Farinelli – Ornella Vanoni

Renata – um sonho?

Farinelli – construir meu teatrinho.

Renata – Farinelli, então eu gostaria de agradecer mais uma vez por ter nos recebido e abrir as portas do seu espaço pra gente.

Farinelli – Obrigada.