Power Point: O guia, a muleta, a cadeira e o acessório.

Você é daqueles que adora colocar aqueles efeitos no Power Point, em que as letras entram uma por uma, leeeeeeeeeentamente? Ou então, logo que começa a apresentação, solta a frase: “Eu sei que não está dando para ver direito, mas…”? Por falar em frases, você já deve ter dito ou ouvido alguém dizer: “Já está acabando gente, faltam só mais alguns slides!” – Coisa de quem sabe que a apresentação está chata. Mas, a pior de todas as atitudes, do ponto de vista da oratória, é virar de costas para o público e começar a ler o texto que está entupindo nos slides? Você faz isso?!

Tentando estabelecer uma metáfora (perdoem se ela cair no clichê, ou mesmo não for muito politicamente correta), pensemos no apresentador como alguém com algum tipo de limitação. Nesse caso, o Power Point apareceria como um guia que ajuda a aclarar o caminho – um condutor. Mas, há tempos, o instrumento virou uma muleta – uma escora, e para muitas pessoas já se tornou quase que uma cadeira de rodas, sem a qual, não é possível sair (se apresentar).

O que acontece é que o Power Point deveria ser visto como algo complementar ao texto, às ideias que serão apresentadas, e não uma condição. Em mais uma comparação, pensemos no Power Point como um acessório e não como uma roupa. Sem as vestes você não sai de casa – não se apresenta. Já a utilização do acessório você escolhe se deve ou não utilizar. Mas, se usar, deve ser para te deixar mais bela, interessante, atrativa, assim como a sua apresentação.

O Professor Leandro Vieira foi muito feliz na elaboração de uma crítica ao uso inadequado do Power Point, em artigo publicado originalmente no site Administradores.com, com um título sugestivo: “Como torturar pessoas usando o Power Point?”

Para ele, “criado para facilitar a vida de milhões de pessoas necessitadas de um suporte para as suas apresentações acadêmicas, comerciais e corporativas, o PowerPoint acabou se tornando um verdadeiro instrumento de tortura […] O problema, como sempre, não é a ferramenta, mas o uso que se faz dela. A maior parte das pessoas utiliza o PowerPoint como uma bengala em suas apresentações. As razões podem ser diversas: insegurança, medo, despreparo, vontade de surpreender a plateia com os “efeitos especiais”, deslumbre com o programa, e por aí vai. A bronca é que, sem o bendito PowerPoint, adiós apresentação.”

O Professor Leandro pontua os 3 modos mais comuns de torturar a plateia:

  1. Rechear os slides com texto.

“O apresentador, com medo de não lembrar o que veio falar, entope os slides com um milhão de frases. Para completar, ignora o público à sua frente e lê o que está escrito no telão. Pobre plateia.”

  1. Utilizar aquelas tradicionais imagens clipart do Windows

“Sempre em busca do caminho mais fácil, o torturador não pensa duas vezes antes de inserir aquelas imagens batidas em sua apresentação”.

  1. Uso de bullet-time

“Aquele efeito irritante que faz as frases deslizarem na tela. A cada tópico lido pelo palestrante, uma nova frase faz sua entrada triunfante da esquerda para a direita (ou de baixo para cima, ou rodopiando, ou piscando…). Os mais empolgados ainda utilizam o pacote de sons do aplicativo:

  • “as vendas do primeiro semestre de 2010 superaram em 6% as do mesmo período do ano passado”. POW! (barulho de disparo de revólver);
  • “Em contrapartida, fomos obrigados a reduzir nossa margem de lucro em 3,29%”SCRINNNCHHHH! (carro freando);
  • “Dessa forma, para a nossa empresa decolar, minha proposta é de expandirmos nossa atuação para o estado vizinho” PLAC! PLAC! PLAC! (som de aplausos. Do programa, é claro.).

Para você que não quer torturar a sua plateia, deixamos aqui 5 dicas:

  1. Use uma estrutura mais limpa em seus slides;
  2. Verifique onde será a apresentação, quais serão os equipamentos utilizados e o tamanho da plateia, para facilitar a produção do layout dos seus slides, adequando-os à situação;
  3. Cuidado com a diagramação. Muitas pessoas não fazem ideia do que significa simetria quando vão produzir a apresentação. Mas, acredite, a plateia sempre faz! Se o público não tem um olhar refinado para a diagramação, ao menos certamente sente que “há algo errado” com a disposição das informações nos slides;
  4. Treine! Ensaie a sua apresentação. Assim, você ganha confiança e pode, aos poucos, diminuir o texto em seus slides;
  5. Aprenda com os mestres. Desenvolva um olhar crítico para perceber os erros das pessoas ao apresentar. Ao mesmo tempo, tente extrair o que elas têm de bom. Participe de palestras, seminários, congressos e observe a postura e a condição da apresentação dos convidados. Leandro Vieira chama a atenção ainda para “como Seth Godin, Chris Anderson, Steve Jobs e outros mestres jedis na arte de encantar plateias utilizam slidewares como o PowerPoint, Keynote ou similares. Cada um tem seu estilo e personalidade na hora de contar histórias. O que suas apresentações têm em comum é, justamente, a utilização de slides simples, pouquíssimo texto, imagens marcantes e design de impacto.” E conclui: “Em se tratando de apresentações, menos é mais. Acredite.”

Há, contudo, outros recursos do Power Point que não utilizamos, mas que são fundamentais em certos casos. Veja 15 dicas técnicas da InfoWester para quando for produzir uma apresentação. Clique aqui.

Mais uma vez, o problema não está com a ferramenta (Power Point) mas com os usos que fazemos dela. Entretanto, procure conhecer outras tecnologias. Veja algumas abaixo:

  1. Keynote;
  2. Prezi;
  3. 280slides;
  4. Acrobat Presentations;
  5. Veja e baixe aqui esses e outros programas.

Boa sorte e bom trabalho para você!

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